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Como fazer o inventário de riscos por GHE (Grupo Homogêneo de Exposição)

O inventário de riscos ocupacionais é a espinha dorsal do PGR e um dos dois documentos obrigatórios exigidos pela NR-01 (item 1.5.7.3). Organizá-lo por GHE — Grupo Homogêneo de Exposição — evita repetir a avaliação pessoa a pessoa e mantém o documento consistente e auditável. Este guia mostra, passo a passo, como montar o inventário por GHE no SIGSSST, do mapeamento de setores e funções à classificação do risco e às medidas de controle com evidências.

Resumo rápido

  • O GHE agrupa trabalhadores que compartilham a mesma exposição — mesma função, setor, atividade e condições — para avaliar o risco uma vez por grupo, e não indivíduo por indivíduo.
  • A NR-01 (item 1.5.7.3.2, alínea "e") exige a indicação dos grupos de trabalhadores expostos; por isso o risco no M02 referencia setor, função e/ou GHE e o número de expostos.
  • O nível de risco é calculado automaticamente como probabilidade × severidade (escalas de 1 a 5), com classificação em baixo, médio, alto ou crítico.
  • Risco alto ou crítico gera automaticamente uma ação no plano de ação (M03), com prazo de 30 dias (alto) ou 15 dias (crítico).
  • As medidas de controle seguem a hierarquia da NR-01 (item 1.4.1 "g"): eliminação, proteção coletiva, medidas administrativas e, por último, EPI.

O que é um GHE (Grupo Homogêneo de Exposição)

O GHE é o conjunto de trabalhadores que, por exercerem a mesma função, no mesmo setor e sob as mesmas atividades e condições, estão sujeitos à mesma exposição a perigos. Na plataforma, o GHE é uma entidade de configuração (fonte de verdade em Core/Config) com nome, descrição e vínculo à função, e serve para agrupar riscos e treinamentos por exposição.

A base normativa é direta: no conteúdo mínimo do inventário, a NR-01 (item 1.5.7.3.2, alínea "e") exige a "indicação dos grupos de trabalhadores expostos aos perigos". O GHE é a forma prática de atender a essa exigência sem inflar o documento com repetições.

Por que agrupar por GHE em vez de pessoa a pessoa

  • Uma avaliação por grupo: em vez de repetir probabilidade e severidade para cada trabalhador, você avalia o risco uma única vez para todos que compartilham a exposição.
  • Priorização correta: o número de expostos do GHE alimenta a regra de priorização das ações (nível de risco × número de expostos) no plano de ação (M03).
  • Consistência e auditabilidade: reduz a duplicidade de "setor/função" digitada em texto livre e mantém o inventário rastreável.
  • Propagação coerente: como o risco referencia função e/ou GHE, ele projeta treinamentos por função (M04), ordens de serviço (M05), EPIs (M13) e a integração na admissão (M14) para todo o grupo.

Passo 1: mapear setores, funções e GHE

Antes de lançar riscos, estruture o escopo organizacional. A plataforma parte da empresa e desce para unidade, setor, função/cargo e GHE. Cada GHE recebe nome, descrição e a função associada, evitando que a mesma exposição seja descrita de formas diferentes.

Nesta etapa você cumpre as alíneas "a" e "b" do conteúdo mínimo: caracterização dos processos e ambientes de trabalho e caracterização das atividades por função, incluindo tarefas rotineiras e não rotineiras.

Passo 2: informar o número de expostos

Para cada GHE, informe quantos trabalhadores estão expostos. No M02 o campo do número de expostos é obrigatório e aceita de 1 até 1.000.000. Ele atende à alínea "e" (quantificar os grupos expostos) e é o insumo que a priorização usa: a ordem das ações combina o nível de risco com o número de expostos.

Passo 3: identificar perigos e classificar o tipo de risco

Para cada GHE, descreva o perigo, a fonte ou circunstância e a possível lesão ou agravo à saúde — alíneas "c" e "d". Classifique o tipo de risco entre físico, químico, biológico, ergonômico, de acidentes e psicossocial, e registre a caracterização da exposição (frequência e duração) exigida pela alínea "g".

Passo 4: avaliar probabilidade × severidade

Atribua probabilidade e severidade em escalas inteiras de 1 a 5. O sistema calcula o nível de risco automaticamente como probabilidade × severidade e faz a classificação (alínea "i", que fecha a avaliação para o plano de ação):

  • Nível 1 a 5: baixo
  • Nível 6 a 11: médio
  • Nível 12 a 19: alto
  • Nível 20 a 25: crítico

A lista do inventário é ordenada do maior para o menor nível, deixando os riscos prioritários no topo. A metodologia (matriz de probabilidade × severidade) fica documentada junto do risco.

Passo 5: definir medidas por hierarquia e anexar evidências

Defina as medidas de controle na ordem de prioridade da NR-01 (item 1.4.1, alínea "g"), ouvidos os trabalhadores:

  1. Eliminação dos fatores de risco (substituir, automatizar, redesenhar).
  2. Medidas de proteção coletiva — EPC (ventilação, enclausuramento, barreiras).
  3. Medidas administrativas ou de organização do trabalho (rodízio, procedimentos, sinalização, redução do tempo de exposição).
  4. Equipamento de proteção individual — EPI, com CA válido e treinamento de uso.

Anexe evidências por risco e por medida (fotos, laudos, certificados), que ficam no GED (M11). Quando o risco é classificado como alto ou crítico e ainda não tem ação vinculada, o M02 abre automaticamente uma ação no plano de ação (M03), com prioridade alta ou crítica e prazo de 30 dias (alto) ou 15 dias (crítico). O risco também alimenta o cronograma de vencimentos (M09) e os indicadores (M10).

Erros comuns ao definir GHE

  • Agrupar só pelo nome do cargo: a mesma função em setores ou condições diferentes tem exposições diferentes e deve formar GHE distintos.
  • Montar grupos heterogêneos: juntar exposições distintas no mesmo GHE quebra a premissa de homogeneidade e distorce a avaliação.
  • Esquecer o número de expostos: sem ele a priorização das ações fica incompleta.
  • Ignorar atividades não rotineiras: manutenções, paradas e emergências também expõem o grupo.
  • Copiar dados identificáveis de denúncias no risco psicossocial: use apenas indicadores agregados.
  • Deixar o inventário desatualizado: novos processos, mudanças, novos perigos, acidentes, novas avaliações ou solicitação da CIPA são gatilhos de revisão.

Como fazer o inventário de riscos por GHE no SIGSSST

  1. Mapear setores, funções e GHE. Estruture o escopo organizacional a partir da empresa (tenant), descendo para unidade, setor, função/cargo e GHE. Caracterize os processos, os ambientes e as atividades por função — rotineiras e não rotineiras — e cadastre cada GHE com nome, descrição e função associada.
  2. Informar o número de expostos. Para cada GHE, registre a quantidade de trabalhadores expostos no campo obrigatório n_expostos (de 1 a 1.000.000). Esse número não é cosmético: entra na regra de priorização das ações (nível de risco × número de expostos).
  3. Identificar perigos e classificar o tipo de risco. Descreva o perigo, a fonte ou circunstância e a possível lesão ou agravo. Classifique o tipo entre físico, químico, biológico, ergonômico, de acidentes e psicossocial. Em riscos psicossociais, use apenas indicadores agregados, sem dados identificáveis de denúncias.
  4. Avaliar probabilidade × severidade. Atribua probabilidade e severidade em escala de 1 a 5. O sistema calcula o nível de risco (probabilidade × severidade) e classifica automaticamente: 1 a 5 baixo, 6 a 11 médio, 12 a 19 alto e 20 a 25 crítico.
  5. Definir medidas por hierarquia e anexar evidências. Defina as medidas na ordem de prioridade da NR-01 (eliminação, proteção coletiva, administrativas e EPI), ouvidos os trabalhadores, e anexe evidências por risco e por medida no GED. Risco alto ou crítico abre uma ação automática no plano de ação (M03).

Perguntas frequentes

O que é GHE no PGR?

GHE (Grupo Homogêneo de Exposição) é o conjunto de trabalhadores com a mesma exposição a perigos — mesma função, setor, atividade e condições. Serve para avaliar o risco uma vez por grupo e atende à exigência da NR-01 (item 1.5.7.3.2, alínea "e") de indicar os grupos de trabalhadores expostos.

Preciso avaliar o risco de cada trabalhador individualmente?

Não. A NR-01 pede a indicação dos grupos expostos, não uma avaliação por indivíduo. Agrupar por GHE cobre todos os trabalhadores com a mesma exposição em uma única avaliação; o número de expostos registra quantos são.

Como o sistema calcula o nível de risco?

O nível de risco é probabilidade × severidade, ambas em escala de 1 a 5. A classificação é automática: 1 a 5 baixo, 6 a 11 médio, 12 a 19 alto e 20 a 25 crítico. A lista é ordenada do maior nível para o menor.

O que acontece quando um risco é alto ou crítico?

O M02 gera automaticamente uma ação no plano de ação (M03), com prioridade alta ou crítica e prazo de 30 dias (alto) ou 15 dias (crítico). O risco também passa a alimentar o cronograma de vencimentos (M09) e os indicadores de SST (M10).

Qual é a ordem das medidas de controle?

A hierarquia da NR-01 (item 1.4.1, alínea "g"), ouvidos os trabalhadores: I eliminação dos fatores de risco; II proteção coletiva (EPC); III medidas administrativas ou de organização do trabalho; IV equipamento de proteção individual (EPI).

Com que frequência o inventário por GHE deve ser revisado?

O inventário deve ser mantido atualizado, com revisão bienal como referência e gatilhos como novos processos, mudanças, novos perigos, acidentes, novas avaliações ou solicitação da CIPA. O histórico de atualizações é mantido por, no mínimo, 20 anos.

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